13.12.09

Balcões

Gruta dos Balcões, Terceira, Açores
Mais uma foto do maior tubo lávico da Terceira. Esta é imagem de capa do livro "Açores - um retrato natural"

3.12.09

Morcegário

Rhinolophus hipposideros (Morcego-de-ferradura-pequeno), Quinta da Regaleira, Sintra
Comecei nesta coisa da espeleologia em 2005, quando tirei um curso na Associação dos Espeleólogos de Sintra (AES). Desde aí tenho trabalhado mais com o Núcleo de Espeleologia da Costa Azul (NECA) mas continuo na AES. A última vez para visitar o morcegário que esta associação gere na Quinta da Regaleira. Um luxo, com câmaras de vigilância, aquecimento central, medição constante de humidade, temperatura e luminosidade, os morcegos tratam-se bem. E a AES trata bem dos morcegos :)

17.9.09

Açores - um retrato natural

Finalmente! Há muito que esperava por um livro que anda a ser preparado há alguns anos. Um retrato da natureza Açoriana num livro essencialmente fotográfico acompanhado de pequenos textos dirigidos ao público em geral. Lançamento próximo domingo.

9.8.09

Floresta Laurissilva da Madeira

Fajã da Nogueira, Madeira
É na Madeira que se encontra a maior mancha verde "intocada" de Portugal. Ponho intocada entre aspas porque não só o turismo é um prato forte, como é possível que muitas espécies endémicas já se tenham extinguido nestas florestas. Muitas aranhas por exemplo, não são vistas há várias décadas. Se é verdade que a quantidade e sobretudo qualidade de estudos destes organismos é como sempre limitada, também é verdade que estes seres de 8 patas são os primeiros a desaparecer quando algo vai mal e os outros grupos ainda não tiveram tempo de reagir (nos Açores tudo indica que é isto que acontece). Mas a floresta não deixa de ser espectacular, com árvores imponentes, enormes, sempre a acompanhar o terreno que raramente é plano. As famosas levadas, canalizando água das montanhas para o litoral, são hoje um excelente guia para as zonas mais remotas da ilha. Não a conheço tão bem como gostaria, mas acho que isso em breve vai mudar...

8.7.09

Pico

Vista nocturna do Piquinho (2351m), Pico, Açores
Tal como no caso da Caldeira de Santa Bárbara, a primeira vez que fui à montanha do Pico foi completamente à maluca. Desta vez acompanhado, vá lá, sempre éramos 2. Sabiamos que o caminho era sempre a subir, que devia dar para acampar lá dentro e tinhamos um mapa de estradas. Já chega de tanta informação :) Como subir desde os 1200m, onde acaba a estrada, é para "meninas", o plano era subir desde o nível do mar. Metemo-nos num barco desde Angra até São Roque do Pico. Aí dormimos no parque de campismo. 7 da manhã, mochilas às costas, sempre a subir. Enganos pelo caminho, vários. Tanto que chegámos à base do cone vulcânico a 1200m ao fim de umas 6 horas a andar por estrada e já o cansaço era muito... Devia haver um caminho pedestre para quem quisesse subir desde o mar. Mas adiante, finalmente estávamos no início da verdadeira subida, com indicações dadas por uns postes ocasionais. Infelizmente o nevoeiro era tanto que só viamos os postes quando e se esbarrássemos com eles :/ Mas o caminho até estava bastante pisoteado, com alguma experiência de caminhada conseguimos subir sem grandes enganos. Ao fim de mais umas 2/3 horas chegamos ao topo da cratera. Por momentos o nevoeiro permite vê-la na quase totalidade. Que vista! Subimos assim tanto que atingimos a lua!? Descemos, mortos de cansaço, para o seu interior, rapidamente descobrimos um sitio perfeito para a tenda, com areia vulcânica e aquecimento central dado por uma fumarola. Só no dia seguinte subimos ao topo, o Piquinho, um "pequeno" cone vulcânico com 80m de altura no interior da cratera. Assistimos ao nascer do sol...
Já lá voltei mais vezes. Uma vez subindo outra vez do nível do mar, desta vez da Madalena. Outra de inverno, com gelo a recobrir completamente a cratera. Uma de noite, depois de uma viagem de semi-rígido com ondas enormes desde Angra. Uma vez subindo e descendo no mesmo dia. Mais uma para tirar fotos nocturnas. Uma pessoa não se cansa de subir à lua :)

26.6.09

Caldeira de Santa Bárbara

Lagoa Funda, Caldeira de Santa Bárbara, Terceira
É aqui que se encontra a maior e mais bem preservada floresta natural dos Açores. Sobreviveu em virtude da inacessibilidade, sendo preciso andar pelo menos uma hora em terreno difícil para se entrar neste "Mundo Perdido". Se Arthur Conan Doyle se baseou nos Tepuis Sul-Americanos, esta caldeira não é muito diferente, mas em vez de se subir, desce-se.
A primeira vez que lá fui foi completamente à descoberta. Já tinha ouvido falar que havia caminhos para descer à caldeira, caminhos esses difíceis e nunca marcados. Foi com esta quantidade enorme de informação que deixei o carro perto das antenas no topo da Serra e segue jogo por um caminho que, apesar de pouco usado, parecia óbvio. Passada meia hora estava no topo de uma parede a ver a caldeira lá em baixo, umas boas dezenas de metros verticais abaixo. E agora para descer? Continuo a seguir o caminho, nas bifurcações metendo sempre pela direcção que me parecia mais provável de se dirigir a uma falha na parede intransponível. Resultou, ao fim de uma hora de caminhada estava dentro da Caldeira. Mas continuo a descer, na direcção da Lagoa Funda, que já tinha visto de lá de cima. Só ao chegar ao fundo me apercebo da grandiosidade do local. Uma lagoa perdida, rodeada de tapetes de musgos com profundidade suficiente para enterrar uma pessoa, de um lado uma floresta completamente intocada, do outro uma parede vertical enorme. Brutal! Como não gosto de voltar para trás continuo a seguir ao longo da parede, onde um corredor se abre entre esta e a floresta intransponível, ela própria uma parede de vegetação. Ao longo do caminho vou tirando fotos e mais fotos. E vou tentando subir a parede num ou outro ponto onde me parecia que era possível. Mas não, de cada vez deparava com uma parte perfeitamente vertical, sem hipótese. É assim que me vejo com o sol a pôr, sem água, comida, ou noção exacta de onde estou (apesar do GPS) ao fim de umas 5 ou 6 horas de caminhada. Ainda por cima não disse a ninguém que para aqui vinha nem há rede de telemóvel. Porreiro. Mas continuo a tentar subir paredes até que por fim, voilá, uma brecha que me permite conquistar o topo e que, depois de uns metros a rastejar na vegetação, me leva a um caminho! Tou safo. É já à luz de frontal (que anda sempre na mochila de fotografia) que prossigo e chego ao carro passada mais uma hora.
Desde então voltei ao local algumas vezes para fotografia ou trabalho de campo, sempre acompanhado e pelo caminho certo. Mas a primeira impressão deste sítio foi de um mundo perdido onde efectivamente me perdi. E assim continua.

11.6.09

As 7 Maravilhas Naturais de Portugal

Serra de Santa Bárbara, Terceira, Açores

Parece que vai haver uma próxima eleição das 7 Maravilhas Naturais de Portugal. Como gosto de despachar logo tudo aqui ficam desde já os meus votos:

- Caldeira de Santa Bárbara (Terceira, Açores)
- Montanha do Pico (Açores)
- Floresta laurissilva da Madeira
- Gruta do Frade (Sesimbra)
- Serra do Gerês
- Vale do Douro Internacional
- Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Não conheço todo o país. Mas conheço bastante. Já trabalhei em boa parte dos nossos parques naturais e em quase todas as ilhas de Açores e Madeira. Infelizmente, como não faço mergulho não me posso pronunciar acerca do que se encontra abaixo do nível do mar. Mas não foi muito difícil chegar a esta lista, se bem que ainda posso vir a acrescentar alguma a estas 7, quem sabe. Mas qualquer destes locais tem algo de muito especial, algo único, não só em Portugal como a nível mundial. Mas para os descrever nada como reservar um post futuro para cada...

9.6.09

Argiope trifasciata

Pico do Facho, Porto Santo
Mais uma aranha, desta vez uma bem colorida. Entre o prateado e o dourado estas são muito comuns em tudo o que seja habitat seco e aberto. Não confundir no entanto com as suas primas Argiope lobata e principalmente Argiope bruenichii.

3.5.09

Ponta Ocidental

Ilhéu de Monchique e Ponta da Fajã, Flores
Dei o pulo do meio do Atlântico para o outro lado do Oceano. Para trabalhar dois anos no Museu Nacional de História Natural (Smithsonian Institution, Washington DC). Se quisesse ter vindo a nado este seria o melhor ponto de partida, o Ilhéu de Monchique, o rochedo do lado esquerdo da foto, extremo Oeste da Europa. Apesar de as Flores e o Corvo já estarem na placa Americana, para lá da Dorsal Atlântica, são considerados como parte da Europa. A sua parte mais Ocidental.

22.4.09

Dia da Terra

Selaginella kraussiana, Terceira, Açores
Neste dia da Terra um grupo de fotógrafos da Natureza resolveu divulgar abertamente uma carta enviada há mais de um mês ao ICNB. Pretendia-se obter esclarecimentos e agendar uma reunião com a direcção deste organismo acerca das restrições impostas à fotografia nas APs e DPM. Sem resposta até hoje. Aqui fica a carta (link). Publiquei novamente a minha opinião no novo portal da biodiversidade em http://www.naturdata.com/

18.4.09

Cristais vivos

Colónias bacterianas, Algar do Carvão, Terceira
Estes hexágonos parecem estruturas cristalinas, certo? Algo mineral? Até certo ponto é verdade, o vermelho é dado pelo ferro. Mas a estrutura foi criada por bactérias que se alimentam da própria rocha. Nada como ler algo acerca destas bactérias cavernícolas aqui: http://desertosedesertificacao.blogspot.com/search/label/Grutas

28.3.09

15.3.09

Pico Branco

Pico Branco, Porto Santo
O Pico Branco deve ser dos locais mais interessantes do Porto Santo. E é impressionante a quantidade de líquenes que se acumula em algumas rochas que chegam a criar "barbas" e longas "cabeleiras".

3.3.09

Denúncia ambiental

Gruta dos Balcões, Terceira, Açores
Lembro-me agora de mais uma situação condenável criada pela nova tabela de preços do ICN. A denúncia ambiental de muitas situações vividas nas APs e no DPM passa a ser enormemente dificultada. Não li nada acerca deste ponto e acho que será um dos mais preocupantes. Porquê? Imaginemos uma situação de violação da lei, por exemplo o despejo de resíduos dentro de uma destas áreas protegidas geridas pelo ICN. Ou uma situação tão ou mais grave mas se calhar até legal, por exemplo, a laboração de pedreiras que ponham espécies em perigo. Uma das armas que qualquer ambientalista tem, talvez a mais eficaz, é a denúncia à comunicação social. Já me aconteceu o ICN não responder a algumas situações que lhes comuniquei e vi-me "forçado" a denunciá-las à televisão (por exemplo a luta Pedreiras vs. Anapistula na Arrábida que a pequena aranha continua a perder dia a dia).
Hoje em dia talvez fosse impossível fazer algo como a reportagem mencionada. Para filmar dentro de uma área protegida uma equipa de televisão tem agora de pedir autorização. Quando a conseguir terá de pagar e só depois poderá filmar dentro da AP. No tempo que isto leva será que o atentado já passou? E claro, se a autorização demorar 2 anos (como já me aconteceu para conseguir autorização para fazer estudos científicos) será que um órgão de comunicação social está disposto a esperar? Uma notícia com meses ou anos ainda é notícia? Ou será que este mesmo órgão estará disposto a pagar as eventuais multas que o ICN lhes passe por filmarem atentados ambientais sem autorização?
Não sei se o ICN quer limitar a liberdade de imprensa e informação da população mas indirectamente é, sem dúvida, o que se passa actualmente. Será esta situação sustentável ou sequer legal/constitucional?

18.2.09

Na teia das políticas de conservação

Turinyphia cavernicola, Terceira, Açores
Às vezes parece-me que em Portugal se brinca à conservação. Quando o ICN, com ou sem B, anda preocupado com os fotógrafos da Natureza, esses verdadeiros flagelos, ao menos nos Açores vai-se prestando atenção ao que realmente importa no que concerne à conservação das espécies. No continente as únicas espécies efectivamente protegidas são vertebrados e algumas plantas. A maioria da biodiversidade é "carne pra canhão" ou quando muito alimento para bicho grande (daí a recusa do B que se poderia estender à dúvida no N). Mas nas ilhas consegue-se fazer algo de notável. Atribuir a mesma importância, nem que seja no papel, a cada ser vivo independentemente do tamanho. A aranha da foto, endémica de uma única gruta, foi identificada como uma das prioridades para conservação não só nos Açores como na Macaronésia. E bem lá no topo do "Top 100"! Falta fazer muito, mas os primeiros passos estão dados. Talvez um dia o continente vá a reboque do que se faz nas ilhas...

9.2.09

Reflexo(e)s

Vilarinho das Furnas, Gerês
Esta foto foi tirada em Dezembro de 2008. Provavelmente uns dias antes da publicação da polémica "Tabela de Visitação" do ICNB. Ainda bem que na altura a tabela não existia porque senão lá ia ter de desembolsar umas centenas de euros se quisesse publicar alguma das fotografias que tirei nesta visita de 2 dias. Só à espera da luz certa levo por vezes horas, quando a consigo. Com cada hora a 25€ a coisa não sai barata... Porque não se distingue a fotografia editorial da fotografia publicitária ou a fotografia da Natureza da fotografia de um produto qualquer. Citando uma resposta da sra. Paula Bártolo do ICNB "O que está em causa é tirar as fotos para serem vendidas, independentemente do local onde as mesmas sejam publicadas"
Mais polémica aqui.
Ou aqui.
Ou aqui.
Ou aqui.
Ou aqui.
Ou aqui.
E já agora, ainda bem que o ICNB não mete as mãos nas regiões autónomas. Como Açoriano adoptado com um livro na forja, com algumas centenas de fotos, talvez já estivesse a dever dezenas de milhar de euros...

1.2.09

Escada de Gigante

Pico Ana Ferreira, Porto Santo
As ilhas de origem vulcânica podem conter muitas surpresas a nível geológico. Estas colunas prismáticas em Porto Santo são uma das formações mais espectaculares no arquipélago. Fazem parte de antigas pedreiras e tomaram o nome de "Piano".

23.1.09

Ilhéu de Baixo

Ilhéu de Baixo ou da Cal, Porto Santo
Com 14 milhões de anos, o Porto Santo é uma das mais antigas ilhas da Macaronésia. As mais antigas, com 27 m.a. são as Selvagens que em tempos, tal como Porto Santo, foram bem maiores que na actualidade. O que vemos hoje é já resultado de muito tempo de erosão. Todo este tempo permitiu naturalmente a formação de novas espécies. Este Ilhéu da Cal, por exemplo, conta com 2 espécies endémicas de caracóis num espaço tão diminuto.

7.1.09

Roca Negra

Roca Negra, Gerês
Fim de um dia de caminhada pelo Gerês. Apesar de ainda termos 4 horas de caminho pela noite dentro olho para trás e gosto do perfil desta Roca Negra, irmã da também imponente Rocalva, na base da qual esta foto foi tirada.